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O terceiro game do japonês Fumito Ueda, criador dos clássicos de PlayStation 2 “Ico” e “Shadow of the Colossus”, é a prova viva de que o trabalho duro compensa. Que sangue, suor e lágrimas podem sim ser sinônimos de uma obra elevada, única e mais criativa que as outras.

Confira o Trailer do Jogo:

O jogo retrata com delicadeza a criação de uma amizade, o desenvolvimento de confiança e os sentimentos de culpa, sofrimento e vulnerabilidade que acabam surgindo mesmo nos relacionamentos mais fortes.

Trico, a fantástica criatura alada que acompanha o jovem protagonista do jogo, é facilmente o animal mais orgânico recriado dentro de um videogame. Ele tem o atletismo e a atitude “blasé” dos gatos, o companheirismo de um cão e a coragem de um leão. Quem tem ou já teve um bichinho de estimação em casa irá reconhecer em Trico suas expressões de curiosidade, dúvida, dor, medo, coragem, entre tantas outras, o que ajuda a criar uma conexão instantânea com a fera – ou a matar um pouco da saudade daquele antigo companheiro que já se foi.

A relação entre o garoto e a criatura fala dessa incrível capacidade de nos comunicarmos com um ser incapaz de falar, e ainda assim nos emocionarmos com seus gestos. Ao mesmo tempo, também diz muito sobre o amor incondicional (e irracional) de um animal, que toparia trocar a própria vida por um carinho e a segurança do seu humano.
Isso tudo acontece em um mundo antigo, decaído, que lembra em cores e atmosfera o de “Shadow of the Colossus”. A “missão” dos protagonistas – e taca-lhe aspas nessa missão, já que parte da graça de “The Last Guardian” é interpretar os ambientes e descobrir o que fazer em seguida – é cruzar essas paisagens e resolver vários quebra-cabeças. Os enigmas são simples, mas exploram as habilidades e fraquezas de Trico e do garoto de várias formas, e acabam valendo o passeio.

Ao observar “The Last Guardian” por esse lado, e mesmo sem saber exatamente dos seus bastidores, é possível ter um aperitivo das dificuldades do projeto. E o resultado final é consequência direta disso. Uma história que tem uma mensagem forte, mas que é um produto de outra época, remendado aos trancos e barrancos ano após ano até milagrosamente ver a luz do dia em 2016.

Se a espera valeu a pena? Essa resposta, mais do que nunca, vai depender totalmente das suas expectativas em relação a “The Last Guardian”. O que é importante dizer é que todo o esforço de Ueda, da Sony e dos fãs não foi em vão. E que mais um capítulo da história dos videogames se encerra com um desfecho que, no mínimo, é um incrível exemplo de dedicação e amor por narrativas interativas – os tais dos joguinhos.

Confira a Gameplay abaixo: